Por JB Press
Com os conflitos no Oriente Médio, eleições polarizadas nos EUA e Europa, e incertezas econômicas nas grandes potências, investidores globais estão em busca de mercados emergentes mais estáveis e com potencial de retorno a médio prazo. Para Erick Isoppo, CEO da IDB do Brasil Trading e especialista em comércio exterior, o Brasil poderia aproveitar essa janela geopolítica para atrair capital estrangeiro produtivo — mas ainda não fez a “lição de casa”.
Segundo Isoppo, enquanto nações como os Emirados Árabes Unidos se consolidam como hubs de capital estrangeiro em meio à turbulência regional, o Brasil perde sucessivas oportunidades por não realizar as reformas e ações estruturantes necessárias para atrair recursos. “Mais uma vez, temos a chance de mostrar ao mundo que somos um país pacífico e cheio de oportunidades para investimentos, não só especulativos, mas principalmente para a indústria de transformação e o comércio”, avalia.
O especialista destaca que, em momentos de instabilidade global, investidores buscam destinos com estabilidade institucional, segurança jurídica e potencial de crescimento. “Países que se colocam como neutros, com planos de governo claros e visão de longo prazo, atraem as grandes fortunas e investimentos que fogem dos conflitos. O Brasil poderia cumprir esse papel, mas precisa fazer a lição de casa”, reforça.
Isoppo defende que a melhor alternativa seria o país assumir uma postura mais ativa na diplomacia internacional e na melhoria do ambiente de negócios. “Podemos levantar a bandeira de que o Brasil sempre foi um país pacífico, imparcial, defensor dos direitos humanos e da paz mundial. Além disso, temos um povo resiliente, terras férteis, minerais abundantes e uma mão de obra qualificada que vem se aprimorando nos últimos 20 anos”, completa.
O CEO da IDB do Brasil Trading aponta que setores como infraestrutura, saúde, turismo e indústria de transformação poderiam ser alvos imediatos para atração de capital estrangeiro. “Temos potencial gigantesco. Basta querer. Se o setor público e privado se unirem, esquecendo ideologias, o Brasil pode gerar receita, valorizar o real e se consolidar como um destino estratégico de investimento”, sugere.
Ele afirma que, mesmo com inflação sob controle e reservas cambiais robustas, o país ainda perde oportunidades por falta de reformas estruturantes e clareza institucional. “Temos ativos estratégicos — território, biodiversidade, mão de obra, indústria de base —, mas seguimos invisíveis no debate internacional de futuro. Enquanto isso, outras nações conseguem se posicionar como estáveis em cenário turbulento.”
Por fim, ele sugere que o Banco Central poderia aproveitar o momento para acelerar a redução de juros, estimulando a entrada de capital. “O mundo está desorganizado. E o Brasil tem estabilidade suficiente para se apresentar como um vértice de crescimento sustentável.”
Foto da capa: Portonave (Divulgação).